sexta-feira, 25 de setembro de 2020

bodas de problema

eu amadureci. e se você me amar menos por causa disso, não saberei o que fazer. eu amadureci por querer você. de tanto eu tocar em seus cabelos todos os dias e sentir neles um cheiro de problema. problema-bom. já ouviu falar em problema-bom? é uma coisa assim, que me ocupa os dias, às vezes até me irrita, mas no fim das contas quem eu seria se não fosse assim? ai de mim se não fosse assim. 

fiz pra você um poeminha anos atrás. mas eu nunca te entreguei, porque acho que ele ficaria menos bonito. o meu sentimento entregue sempre parece meio bobo, como a força das palavras quando são lidas de qualquer maneira. e se bem te conheço, você iria ler de qualquer maneira. assim... sem pausa, vírgulas, sem a entonação e o sentimentalismo que eu derramei. mesmo que eu te recitasse, não iria adiantar, você se distrai com facilidade. 

mas que posso fazer? se em você eu tenho a minha melhor graça, a minha falha mais fundamental, o meu mais nobre erro? você tem loucuras assim, contradições assim, e acha que o tudo é sempre suspeito. mas dia desses eu amadureci. e se você me quer menos por causa disso, é melhor ir sonhando menos. é melhor ir querendo menos ser feliz. 

porque você nunca estará ao lado de alguém que seja exatamente igual ao dia que você conheceu. as coisas mudam, eu mudei. mas o meu amor só vai mudando de frasco, de cor de água. estamos envelhecendo juntos. eu sei, os cheiros dos outros você acha muito fortes, porque não tem costume. o meu é o único que te faz lembrar das coisas necessárias na vida, mas às vezes faz ferir suas narinas. não sei se você percebe, mas eu amadureci. na madeira, no cimento, na cadeira da sala. abrigamos um quê de familiar, inerente e indivisível: de melhores reminiscências, de uma história toda preenchida da essência que construímos.

eu diria que seu cheiro de problema-bom parece longe de acabar. mas a verdade é que eu gosto disso. quero que ele dure por todo o sempre que me resta.

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